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Uma paciente me pediu uma solução para conseguir conversar sobre dinheiro com o marido. O que eu li ali não era sobre dinheiro.
Primeiro ano de casamento — a fase em que quase tudo ainda está sendo ajustado. Ela não conseguia conversar sobre finanças com o marido: queria dizer o que sentia como injusto, e como ele não enxergava a sobrecarga que ela carregava. Me pediu para propor uma solução. É um caso comum — representa o que muitos casais vivem.
O problema não era quanto cada um gastava. Era um monte de acordos nunca combinados e percepções divergentes operando no escuro — e a falta de algo concreto para enxergar essa dinâmica.
Um exemplo, entre muitos: o que para um era responsabilidade, para o outro era ajuda — e quem ajuda espera gratidão, enquanto quem espera responsabilidade acha sempre pouco. Não há resposta certa aí. Há um casal que precisa alinhar o que cada palavra significa para eles.
Planilha não basta para saber como um casal lida com dinheiro.
E é aqui que a minha terapêutica se separa da lógica do coach: eu não digo o jeito certo de dividir as contas. Não existe jeito certo — existe o que funciona para aquelas duas pessoas. O trabalho é entender como cada um funciona, para o casal decidir o que serve a ele.
Leio o dinheiro pelo mesmo modelo com que leio a pessoa inteira — instinto, emoção e razão:
E aqui está o ponto: a razão só funciona depois que instinto e emoção estão alinhados. Imposta por cima do desalinhamento, ela vira ressentimento silencioso — aquele em que um lado aceita a proposta do outro e, por dentro, discorda. Os apps de finanças começam e param na razão. Por isso ignoram justamente onde o casal se desencontra.
A Sintonia inverte a ordem. Antes de qualquer número, ela constrói pelo diálogo os acordos do casal — conduzindo cada um pelas perguntas que precisam ser:
Só então o quantitativo entra, agora sobre um chão alinhado. No caminho, dá para medir o quanto o casal diverge — e prever o tipo de conflito que tende a aparecer. O dinheiro fica lado a lado com as tarefas do lar, que é onde a briga costuma travar: um diz que banca a maior parte, o outro que carrega a casa, e ninguém sai do lugar. A Sintonia organiza essa discussão antes que ela vire ataque.
A Sintonia também é uma interface para o terapeuta. Ele deixa de só guiar a conversa: passa a ter um método de acordos que o conduz — como um protocolo —, sem perder o discernimento de quem lê a relação ao vivo. E enxerga o que o app sozinho não vê: o diálogo interno de cada um, o incômodo que não se diz.
a ferramentaConheça a Sintonia por dentro →trabalhar comigo
Uma dor que precisa virar solução — e que ninguém ainda leu por inteiro. É assim que eu trabalho: leio o sistema humano escondido no problema e construo o que lhe dá forma.